Escrita Auxiliada Por Computador

Esta semana me vi em uma situação inusitada: precisei redigir alguns parágrafos de texto a caneta. Ou seja, nada de Insert, nada de Copy/Paste – me fez lembrar dos tempos de escola (e também que minha caligrafia é horrenda).

Hoje em dia eu ainda escrevo “a mão”, mas geralmente só para anotações pessoais. Qualquer texto mais longo, ou que exige um mínimo de formalidade, escrevo no computador.

Recentemente li este artigo bacana sobre as tecnologias de edição de texto. O autor fala de Douglas Englebart, e explica que, além de ser “o inventor do mouse”, ele também é o “inventor do copy/paste“.

In October of 1962, Douglas Englebart imagined a remarkable new technology for writing.(…) He was, in essence, imagining a machine that could electronically cut and paste. (…) He [wrote about that] 50 years ago — when computers were still room-sized industrial tools — yet he nailed it: One of the biggest impacts of word processing has been the way it makes cutting and pasting a central part of how we organize our thoughts. (Clive Thompson, 2010)

O artigo lembra como estas novas tecnologias foram recebidas com desconfiança na época. Se pensava que as pessoas ficariam com “preguiça de pensar”, e que se tornariam desleixadas.

“Novas escritas”
Idealmente, estas novas ferramentas para escrita deveriam acrescentar ao que já temos, mas nunca substituir formas tradicionais.

Enquanto determinadas idéias pedem um editor de texto, outras se adequam melhor à escrita linear tradicional (ou “escrita corrida”),  por exemplo. Também existem aquelas idéias que só poderiam se materializar na forma de uma “twittada”, por sms ou então só mesmo via comunicação oral presencial (ou “papo”). Isso ainda varia de pessoa a pessoa.

Assim, não se trata apenas de diferentes formas de escrever texto, mas sim de “novas escritas” – seja na limitação do número de caracteres, no caso do twitter, ou na inclusão de novos recursos de marcação e interação, como no html  (neste post mesmo, lá em cima tem uma frase que não faria sentido não fosse o link).

Enfim, diferentes ferramentas levam a diferentes maneiras de pensar. O desafio fica sendo saber identificar qual é a melhor solução para cada situação.

Em um escopo mais amplo, isso significa que temos pensado cada vez mais (e de diferentes maneiras) sobre linguagem e sobre a maneira como nos comunicamos e pensamos. Isto é, a tecnologia “fria” pode estar nos ajudando a resgatar nossa própria humanidade.

Thompson Thompson

Tags: , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: