Repensando Flusser e as Imagens Técnicas – Arlindo Machado

Neste breve ensaio, entitulado Repensando Flusser e as Imagens Técnicas (2001), Arlindo Machado examina a criação e a arte em meios digitais, tomando como base principalmente Vilem Flusser e seu livro Filosofia da Caixa Preta (1985).

Apesar de Machado abordar uma série de temas neste texto, achei este trecho no final especialmente interessante, por sugerir que pode estar na arte a recuperação do humano na tecnologia:

Aparelhos, processos e suportes possibilitados pelas novas tecnologias repercutem, como bem o sabemos, em nossos sistemas de vida e de pensamento, em nossa capacidade imaginativa e nas nossas formas de percepção do mundo. Cabe à arte fazer desencadear todas essas conseqüências, nos seus aspectos grandes e pequenos, positivos e negativos, tornando explícito aquilo que nas mãos dos funcionários da produção ficaria apenas enrustido, desapercebido ou mascarado. (…) Voltando a Flusser, a arte coloca hoje os homens diante do desafio de poder viver livremente num mundo programado por aparelhos. (grifo meu)

Em Caixa Preta, Flusser explica que agimos como funcionários diante de uma máquina da qual desconhecemos os mecanismos internos de funcionamento. Segundo o autor (e Machado de certa forma compartilha desta posição), isso poderia ser evitado agindo de maneira subversiva – isto é, o homem mostrando pra máquina “quem é que manda”.

Minha opinião sobre isso é mais flexível. Assim como Edmond Couchot (citado por Machado), acredito que o uso criativo/artístico/expressivo do meio digital pode acontecer sem a necessidade da subversão (até por conta do fato de que a subversão nunca tem fim – trata-se de um ciclo vicioso, cada nova subversão levando a uma nova alienação).

Machado sugere que o caminho mais natural para a arte digital seriam as parcerias entre artistas e técnicos – engenheiros, programadores, físicos, e assim por diante (ele exemplifica com a parceria entre o artista Waldemar Cordeiro e o físico Giorgio Moscati no Brasil – mais informações sobre isso aqui).

Apesar de certamente este ser um possível caminho, acredito que a tendência que tem se configurado é muito mais dinâmica e promissora: de um lado, artistas tem se interessado muito mais por aspectos técnicos (e pelas teorias por trás da técnica); de outro, as máquinas e os softwares tem se tornado cada vez mais intuitivos e poderosos (Flash+Actionscript e Processing são exemplos disso).

PS: este texto me foi indicado na ocasião da minha recente banca de qualificação – tem ele completo no Google Books, aqui (pg 147).

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