A Arte Como Pesquisa

Obs: post in english  below, after the jump

A pesquisa científica e tecnológica não é tão “objetiva” como muitos de seus profissionais gostariam que fosse (…) [O] empreendimento todo está sujeito a poderosas forças políticas, econômicas e sociais (…) Muitas teorias e tecnologias que poderiam ser significativas são ignoradas. (…)

Linhas de pesquisa de grande valor morrem pela falta de apoio, porque elas não são favoráveis a determinadas disciplinas científicas. Novas tecnologias com um potencial fascinante são abandonadas porque se julga que não sejam comercializáveis. (…)

Preocupa-me que a mão invisível do mercado possa não ser tão sábia como muitos gostariam que fosse. Os julgamentos que fazem que o curto prazo tenha sentido para acionistas não tem sentido para a cultura. (…)

Acredito que a arte pode ter um papel crucial como zona de pesquisa independente. (…) Ela poderia se transformar num lugar para se investigar temáticas abandonadas, desacreditadas e não-ortodoxas. (…) Os papéis dos artistas poderiam incorporar outros papéis como os de pesquisador, inventor, hacker e empresário. (…)

[Nos primórdios da arte computacional:] o que é mais importante é o fato de que os artistas estavam fazendo experiências com microcomputadores quase ao mesmo tempo que outras pessoas envolvidas com desenvolvimento e pesquisa. (…)

Talvez a própria categorização segmentada de artista e pesquisador mostre que esse é um anacronismo histórico; talvez surjam novos tipos de papéis integrados. (…)

A pesquisa mudou radicalmente nossa cultura e vai continuar a mudar. A arte precisa ser parte essencial desse processo.

Trechos de ‘A arte como pesquisa – A importância cultural da pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico’, de Stephen Wilson (1996). Tradução de Flávia Gisele Saretta. (leia o texto completo em  portugês e inglês). Parte integrante da coletânea ‘Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e criatividade’, organizada por Diana Domingues (2003).

Este texto foi tema de discussão no grupo ADMD (Arte, Design e Mídias Digitais – ECA/USP), sob coordenação de Monica Tavares.

*Fim do post*

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This post in english:

Scientific and technological research is not as “objective” as many of its practitioners would like to believe. While some of its practices strive toward objectivity, the whole enterprise is subject to larger political, economic, and social forces. (…)  Many possibly significant theories and technologies are ignored.

I am worried that the invisible hand of the marketplace might not be so wise as many would like to believe. The judgments that make short term sense for stockholders do not make sense for the culture.

The arts can function as an independent zone of research. They could become the place where abandoned, discredited, and unorthodox inquires could be pursued. They might very well value research according to criteria quite different from those of the commercial and scientific worlds. The roles of artists could incorporate other roles such as researcher, inventor, hacker, and entrepreneur.

[About the origins of computer art:] more important is the fact that artists were experimenting with microcomputers at almost the same time that other kinds of developers and researchers were.

Maybe the segmented categorization of artist and researcher will itself prove to be a historical anachronism; maybe new kinds of integrated roles will develop. Research has radically altered our culture and will continue to do so. Art must be an essential part of this process.

Excerpts from ‘Art as Research – Cultural Importance of Scientific Research & Technology Development”, from Stephen Wilson (1996). Complete text here.

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