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Acabo de ler um artigo na WIRED sobre neuromarketing aplicado ao cinema. Seguem alguns trechos (traduçao e grifos meus):

Os cineastas serão capazes de identificar precisamente quais sequências/cenas excitam, envolvem emocionalmente ou perdem o interesse do público com base em quais regiões do cérebro são ativadas. A partir desta informação o diretor pode editar, re-filmar uma performance ruim, ajustar uma trilha sonora, incrementar os efeitos especiais e aplicar quaisquer outras mudanças para melhorar ou substituir as cenas menos cativantes.

(…) Esta tecnologia não faz lavagem cerebral em ninguém. O cérebro de um espectador vai revelar as suas preferências pessoais, enquanto criadores serão capazes de prestar atenção a aqueles detalhes importantes de forma a produzir filmes melhores e saber como vendê-los de maneira efetiva.

Considero a neurociência como uma das áreas mais interessantes da atualidade, mas a prática sugerida por este artigo me incomoda.

Se não se trata exatamente de uma “lavagem cerebral” (embora a longo prazo seja praticamente isso), quando a própria mente passa a determinar o mundo ao seu redor o resultado me parece ser uma espécie de curto-circuito mental. Não é surpresa que essa estratégia seja adotada pela indústria do entretenimento (gostemos ou não, o neuromarketing já existe a um bom tempo, nos ajudando a identificar as nossas mais profundas necessidades).

Só espero que esse tipo de abordagem não se torne prática comum na produção artística e cultural de uma maneira geral. Quando eu vou ao cinema a última coisa que eu quero ver é o que eu espero ver.


English translation:
I just read an article on WIRED about neuromarketing applied to cinema. Here are some excerpts (the highlights are mine):

The filmmakers will be able to track precisely which sequences/scenes excite, emotionally engage or lose the viewer’s interest based on what regions of the brain are activated. From that info a director can edit, re-shoot an actor’s bad performance, adjust a score, pump up visual effects and apply any other changes to improve or replace the least compelling scenes.

(…) This technology doesn’t brainwash anyone. A moviegoer’s brain will reveal their personal preferences, while creators will be able pay attention to those important details to produce better films and know how to effectively market them.

I consider neuroscience to be one of the most interesting fields of our time, but the practice suggested by this article bothers me.

If not “brainwashing” (although at a long term that is practically what it is), when the mind itself begins to determine the world around it the result seems to be some kind of mental short-circuit. It’s no surprise that this strategy would be adopted by the entertainment industry (whether we like it or not, neuromarketing exists for a while now, helping us identify our deepest needs).

I just hope that this kind of approach doesn’t turn out to be a common practice in art and culture. When I go to the movies the last thing I want to see is what I expect.

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