Archive for julho \27\UTC 2009

3a. Convenção Internacional de PureData

27/07/2009

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Neste mês aconteceu o pd~con09 (3a. Convenção Internacional de PureData), com atividades e apresentações em diversos pontos de São Paulo.

Direto do blog:

Puredata (ou Pd) é um software livre adotado em trabalhos Artísticos (Multimídias e interativos) (…). A Convenção internacional de Puredata é um evento periódico, e o mais importante da comunidade de desenvolvedores, usuários e entusiastas em geral do Pd.”

Como eu vinha brincando com o Pd nas últimas semanas, fiquei curioso para ver pelo menos algumas das apresentações. Fui no dia 24, uma chuvosa sexta-feira, e vi algumas performances no auditório do SESC Av. Paulista.

A apresentação que mais me interessou foi a Silent Construction de Jaime Oliver (Peru), tanto pela beleza visual como pelas texturas sonoras que o artista gerou com o instrumento – uma espécie de “tambor silencioso”, cujo som é gerado com base nos gestos realizados pelo artista sobre uma película e capturados por uma câmera. Clique aqui para assistir um vídeo da performance, inclusive com algumas cenas “dos bastidores” do funcionamento do algoritmo utilizado (infelizmente não é a mesma que eu vi – a iluminação estava bem mais bacana, tudo escuro e com apenas uma luz dentro do tambor).

Outra apresentação legal foi a [kleine machine], poesia digital da dupla/casal HP Process (França), misturando som, vídeo e captura de movimento em uma espécie de narrativa híbrida, tudo girando em torno da imagem capturada em tempo real de uma mulher em um vestido vermelho (que por sinal terminou a performance no chão do palco). Tem alguns vídeos e audios no myspace deles (vale avisar que páginas no myspace tendem a sobrecarregar o processamento do browser).

Enfim, pelo pouco que pude ver, a convenção parece ter sido bem legal. A única crítica que eu faço é sobre o som, que estava excessivamente alto. Tenho certeza que muita gente que estava na platéia naquela noite foi pra casa com os tímpanos danificados.

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Lucas Samaras

21/07/2009

Por que você está conduzindo esta entrevista?
Eu quero cristalizar a situação diária de conversar comigo mesmo. (…)
Se você estivesse sozinho no mundo você seria um artista?
Eu estou sozinho no mundo. (…)
Você é simpático com as pessoas?
Não. Eu sou preciso quanto aos meus sentimentos.
Você quer ser rico?
Não mais.
Por quê?
A riqueza é  uma profissão.
Você não quer riqueza?
Eu quero apenas o suficiente para viver e fazer o meu trabalho sem sentir que eu preciso dar algo por culpa ou generosidade.
Qual é o problema com a generosidade?
Ela perpetua uma aristocracia endinheirada. (…)
Por que você não dirige?
Eu não confio nos meus instintos assassinos.
Por que você quer um megafone, por que alcançar milhões?
Eu não quero alcançar milhões mas o equivalente a mim mesmo entre esses milhões.”

Trechos de “Another Autointerview” (1971), do artista Lucas Samaras, retirados do livro “Theories and Documents of Contemporary Art: Source Book of Artists Writings” (1996), editado por Peter Selz e Kristine Stiles (tradução e grifo meus).

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