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Harold Cohen é um artista que passou da pintura à arte computacional e produziu trabalhos bem interessantes, como o Aaron, um software que “cria pinturas“, e um robô que desenha (mostrado na imagem acima).
Separei alguns trechos de uma entrevista com ele realizada por Moira Roth para a publicação Art in America, em 1978. Seu discurso é bem rico e inspirador, principalmente pelas suas reflexões a respeito da arte computacional e da arte de uma maneira geral.
O interesse de Cohen é a mente criativa, não a máquina. Para ele, a máquina é apenas um meio ou ferramenta.
The machine is interesting to me for just one reason. It makes it possible to model certain aspects of the human mind. I am concerned with how human beings work. I am not much concerned with how machines work. (…) I really think of myself as a humanist in a very old fashioned sense. (pg 106)
Ele explica que o programa (nesta entrevista ele se refere a um trabalho específico – do robô que desenha, representado na imagem acima) sabe o que é dentro e fora, e conhece os mecanismos do uso da repetição em um desenho, por exemplo. Além disso os desenhos da máquina lembram os seus próprios desenhos manuais. Tudo isso indica que a máquina contenha, de alguma forma, parte de sua própria poética (além das inevitáveis demais contribuições – do software, da máquina, e assim por diante).
Há talvez uma contradição no seu uso do computador, por um lado motivado por considerar a máquina análoga aos processos mentais humanos, por outro escolhendo ela pela sua precisão e capacidade de não “se distrair” de regras previamente definidas (uma característica humana, como ele relata ter percebido em uma certa época em que não tinha acesso a um computador, ao ser obrigado a desenhar sem o computador e perceber que não conseguia seguir sua própria poética à risca).
My sense of involvement is far greater when I am writing computer programs than it was when I was painting. (pg 109)
De qualquer maneira, a capacidade da máquina de seguir instruções de maneira objetiva e exata – ou seja, sem subjetividade – não significa que não há subjetividade no seu produto final, uma vez que há subjetividade na intenção do artista (assim como uma poesia não é menos subjetiva só por “se limitar” ao alfabeto, por exemplo – sobre isso vale citar Hofstadter, que em Golden Braid… trata do tema da emergência de subjetividade a partir de um sistema objetivo).
Cohen discorda do termo “computer art” – considera o produto da máquina como “produção de imagem”.
I think computer art is the most absurd nonsense ever produced in the name of art. pg 110
Sobre isso, considero que ele interpreta o termo “computer art” no sentido que, na tradução em português, seria “arte do computador”. Difere assim, a meu ver, do termo “arte computacional” (que prefiro, e que usei para descrever o trabalho dele), que seria uma “arte pelo computador”. Não sei até que ponto faz sentido esta minha escolha – sugestões são bem vindas.
Tags: arte, computador, desenho, máquina
22/11/2010 às 8:23 pm |
[...] Obs: mais sobre Harold Cohen e Aaron neste post. [...]
28/07/2011 às 3:38 pm |
[...] Harold Cohen, o criador de Aaron,um dos primeiros sistemas computacionais de geração de “imagens artísticas”, deixa esta questão clara em sua pesquisa definindo um novo termo – um “comportamento x”, similar, mas distinto da “criatividade”. [...]